O post de hoje será um pouco diferente.
Sei que passei um bom tempo sem postar, falhei com o COP15 (que se mostrou uma decepção), mas achei essa uma boa maneira de retornar ao blog nesse novo ano.
Acabei de ver o filme Avatar (para quem gosta desse tipo de filme, vale a pena. Quem ainda não viu talvez não goste de ler). Saí da sala de cinema com uma sensação estranha. Ele me deixou inquieta. Inúmeras questões podem ser levantadas a partir do filme, mas vou falar sobre o tema do blog.
Foi esquisito ver algo tão real. Fiquei com vontade de partir para a tela. Fiquei triste. O motivo? A maneira como eles tratam o novo planeta. Exatamente como tratávamos (e tratamos) aqueles que não compartilham da mesma crença e dos mesmos hábitos que nós. É claro, eles também mostram um desprezo incrível pelo meio-ambiente local.
Algo que ficou martelando na minha cabeça... Será que aqueles humanos que lutaram à favor dos Na'vi teriam a mesma bravura se ali não tivesse "vida inteligente"? Se fosse para defender a natureza do planeta, impedindo a ação destruidora dos homens... eles teriam a mesma coragem e a mesma determinação?
Sincera e infelizmente, eu acredito que não. Não haveria ali algo familiar o suficiente para eles arriscarem suas vidas.
Voltando para casa, no ônibus, vi uma mulher jogar um copo de água mineral pela janela, dentro de um canteiro de plantas. Fiquei pensando... o que custava segurar aquele copo até chegar em casa ou achar um lixeiro, de coleta seletiva ou não? É mais fácil jogar no chão. Não importa o resultado a longo prazo, e sim a curto prazo. Nós e nossa maldita pressa.
Pouco cuidado, nós temos. É triste quando Jake Sully fala em seu videolog sobre a ligação do povo Na'vi com a natureza. Nós não sentimos mais.
Quando foi a última vez que você parou e prestou atenção no belíssimo balé dos coqueiros à beira mar?
Quando você sentiu as gotas de chuva acariciarem sua pele, sem sair correndo desesperado para não chegar molhado nos cantos?
Quando você parou para sentir o cheiro da noite e ouvir os animais noturnos cantarem?
Ele tem razão quando fala que não existe mais verde aqui. O pouco que ainda resta, nós fazemos questão de destruir. Nas cidades impera o concreto, e aquelas que ainda não são tão desenvolvidas sonham com esse status. Nós e nossa sede por riqueza, por poder... não importa quem e o que será derrubado no caminho.
Que mania de achar que somos superiores, que temos a razão de tudo, que não precisamos conhecer mais nada novo, que bastamos, que não precisamos desses animais e dessas plantas. Raiva e tristeza se misturam. É somada a isso a desesperadora sensação de ser uma fraude, de não fazer o suficiente, de não colocar a mão na massa. Não sei se esse planeta ainda tem jeito, principalmente com os humanos presentes. Quero acreditar que sim.
Por favor, me avisem quando parte a primeira espaçonave para Pandora.


